Cuidando da sua saúde

Estamos numa época do ano que chama a atenção para o enlace da oncologia e a sociedade em geral com a Campanha Mundial do Outubro Rosa. As discussões sobre o câncer ganham foco por meio do Câncer de Mama, e nós oncologistas nos esforçamos para oferecer o máximo de informações possíveis às nossas pacientes e seus familiares, com o intuito de sempre reforçar a esperança e os cuidados possíveis para evitarmos casos avançados de uma doença muitas vezes inevitável.

O método mais amplamente conhecido e cientificamente comprovado de avaliação de uma população sem risco elevado identificado, ou seja, a maior parte da população, ainda é a mamografia. Existem outros exames, mas que são feitos em situações específicas, não fazendo parte da triagem rotineira.

Para as pacientes fora da faixa etária em que geralmente indicamos exames ou até consultas – como nas mulheres com menos de 45 anos – é importante reforçar o benefício do autoexame e de procurarem avaliação médica sempre que se sentirem inseguras ou com dúvidas com esse autoexame.

Os sintomas da doença não devem ser o parâmetro para a procura de avaliação médica, e nisso a Campanha do Outubro Rosa contribui muito, exatamente porque reforça o benefício da triagem, que tem o objetivo de detectar a doença em fases precoces. Sintomas da doença já podem nos trazer pacientes em situações mais avançadas do câncer, podendo dificultar o tratamento. Entretanto, embora menos frequentes, algumas características locais da mama podem ocorrer precocemente, como a perda de líquido claro pelo mamilo, alterações na cor e textura da pele, retração do mamilo e formação de nódulos ou massas que não regridem e via de regra não doem.

Costumo dizer às minhas pacientes, que estão em tratamento ou que vem em consulta para esclarecimento, que muito pouco podemos fazer para evitar a doença e que o muito que pode ser feito cabe a elas mesmas. Hábitos de vida saudáveis são cruciais, como a prática habitual de exercícios físicos, sob orientação adequada naquelas pacientes com mais idade ou as que não têm muita aptidão para isso; alimentação equilibrada, se necessário também sob orientação; evitar fortemente a obesidade; evitar bebidas alcoólicas e não fumar – lembrando que tabagismo não existe muito ou pouco, tabagismo é zero mesmo. Outras condições fogem ao controle da paciente, como o início precoce da menstruação ou menopausa tardia; ter ou não ter filhos, ou mesmo tê-los mais cedo ou mais tarde; amamentar ou não; usar ou não anticoncepcionais orais e em quais doses (conduta a ser orientada por médicos).

Em resumo o que quero dizer é que a doença poderá aparecer, e os exames não a impede de surgir, mas vai identificá-la o mais cedo possível, para que seja mais precocemente tratada, dando chances de tratamento com sucesso para essa pessoa.

Um outro aspecto que me agrada muito nas campanhas do Outubro Rosa é a possibilidade de discutir e expor os novos conhecimentos médicos para a população. Todos os anos participo de eventos – o máximo que posso – dentro e fora do país, porque muito se estuda e os passos podem ser pequenos na maioria das vezes, porém os passos existem. As novidades são somatórias e no curso de alguns anos geram verdadeiras revoluções nas terapias e na forma de conduzir a oncologia. Isso me fascina. Isso me faz – e me ajuda – a permanecer nessa luta.

Frequentemente me perguntam por que escolhi esse caminho, que parece tão dolorido para quem vê de fora. Escolhi porque está em mim cuidar da vida, porque a persistência torna possível os passos em direção à cura do câncer. Escolhi a oncologia porque aprendo com meus pacientes a ser humilde, a respeitar os caminhos e o tempo. Escolhi cuidar dos pacientes com câncer porque são pessoas fortes e acreditam na vida e eu sou grato a eles, por confiarem em mim e me ensinarem tanto.

Dr. Leonardo da Silveira Bossi – Graduado em medicina pela Universidade Federal de Minas Gerais (UFMG), pós-graduado em pesquisa clínica pela Universidade de Harvard, mestre em oncologia avançada pela Universidade de Ulm (Alemanha), cooperado da Unimed Salto/Itu e diretor clínico da NeoOnco Especialidades.